Chamava se Maria da Fé, mas nem sempre a fé a acompanhou.
Houve uma primavera em que acreditou que o mundo lhe pertencia. Os dias eram longos, os sonhos não tinham fronteiras e o coração batia com pressa de quem tem toda a vida pela frente. Depois chegou o verão com os seus amores, paixões e promessas feitas de luar.
Maria conheceu a alegria de ser amada, mas também a tristeza de descobrir que nem todas as promessas florescem.
Veio o outono. Algumas pessoas partiram, outras ficaram apenas na memória.
Maria aprendeu que há folhas que precisam cair para que a árvore continue viva.
E, quando chegou o inverno, julgou que a vida já pouco teria para lhe oferecer.
Mas foi precisamente aí que descobriu uma força que desconhecia, a capacidade de recomeçar.
Agora, Maria já não conta com os anos que passaram. Conta os momentos que lhe aquecem a alma, os amigos que a fazem sorrir e os sonhos que ainda lhe brilham nos olhos.
Maria descobriu finalmente que a vida não termina quando as folhas murcham.
Às vezes é no silêncio do inverno que nasce a primavera mais bonita.
E Maria continua a acreditar.
Continua a ter Fé.
Hermínia Miranda (Mimi)
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