01/01/2026

SÓ, NO MEIO DE DINHEIRO

Soraia acabava de regressar de umas curtas férias na Extremadura espanhola. O apoio que dava a muitos idosos, indo a suas casas prestar serviços de fisioterapia, não lhe permitia estar ausente muitos dias. A par disso, Soraia prestava também serviços de fisioterapia num luxuoso centro de acolhimento de idosos. Mediante acordo escrito e reconhecido por um notário, esse centro aceitava receber e tratar de doentes todo o resto das suas vidas em troca da entrega efetiva da sua casa quando do seu falecimento. Naturalmente que o Centro fazia cálculos de probabilidades de esperança de vida versus valor da casa recebida em troca, sendo que o contrato estabelecia cláusulas e condições de renúncia de qualquer das partes.

- Bom dia Sr. Joaquim, como se sente hoje depois destes dias sem tratamento? Perguntava Soraia ao seu doente.

- Muito mal, muito mal! Nenhum familiar me veio ver, só os meus vizinhos da moradia ao lado passaram por aqui, duas vezes. A minha cuidadora, Srª Maria, veio cá como habitualmente para fazer o comer, mas lá tem a sua vida, pouco tempo aqui esteve.

- Nenhum filho veio vê-lo?! Perguntou Soraia, espantada.

- Não, nem me telefonaram. São uns ingratos, não querem saber do pai, se calhar têm pressa de herdar o que tenho - dinheiro, casas e terrenos.

- Estão muito ocupados nas suas vidas profissionais, não é verdade?

- Deve ser isso, ganham bem, são os três formados, sacrifiquei-me muito para lhes dar um curso superior. Às vezes penso que, se dependessem mais de mim, tinham mais atenção para comigo, depois que a mãe faleceu. Assim, estou sozinho, tenho-a a si, que me ajuda muito.

- Conte lá como conseguiu arranjar tanta coisa, foi só do restaurante que teve?

- O restaurante permitiu-me comprar muitas propriedades e mandar estudar os filhos, mas o meu pecúlio começou desde cedo a engrossar. Já fiz muitas coisas na vida, depois que vim de Trás-os-Montes para trabalhar na siderurgia do Barreiro. Comecei como fogueiro, controlava os sistemas de produção de vapor, como caldeiras e fornos, que fazem o aquecimento dos equipamentos de produção de aço e controlava também a sua manutenção e segurança operacional.

- Então tinha um cargo importante na siderurgia?!

- Nem por isso, os chefes valorizavam o meu trabalho, mas recebia pouco. Era trabalho violento e procurei um mais leve num restaurante.

- Ganhava mais no restaurante do que na siderurgia?

- Não foi só por isso, tratou-se de uma perseguição política. Houve um concurso para compra de equipamentos novos e eu vi as três propostas de fornecimento. Tinham valores muito diferentes, o que estranhei. Compraram os equipamentos mais caros. Fiz perguntas que não foram bem recebidas por quem decidiu. Pouco tempo depois falava-se que a compra tinha sido feita a quem dava uma comissão/percentagem mais elevada como luvas, a quem tomou a decisão. Fui ameaçado por fazer perguntas. Pouco tempo depois fui acusado de ser comunista, fui perseguido pela PIDE e puseram-me na rua. Era assim que se escondia a corrupção no Estado Novo. Tive que aceitar o que me ofereciam no restaurante. Mas olhe, foi a minha sorte. Aprendi tudo sobre cozinhar e gerir um restaurante. Dois anos depois abri o meu primeiro restaurante no Barreiro. No ano seguinte abri outro no Seixal, depois outro no concelho de Palmela. Ganhei muito dinheiro, comprei propriedades e mandei estudar os filhos. Continuando na siderurgia não teria essas possibilidades…

- Teve sempre boa saúde, isso também ajudou, não foi?

- Olhe que nem sempre! Já tive problemas do coração, fui operado e pensei que não voltava vivo da sala de operações. Antes disso, fiz muitos exames. Um dia entrei para um túnel para fazer ressonância, diziam, muito quietinho, vi máquinas a rodar à minha volta, uma enorme barulheira, parecia que eu tinha morrido e andava a voar no espaço. “Será que morri”? pensei. Tive a noção que tinha andado no meio das estrelas. Quando saí do túnel fiquei incrédulo: estava vivo! Imediatamente antes de fazer a operação ao coração assumi que poderia não sair dali vivo. Fiz uma reflexão profunda sobre a vida e sobre a morte. Olhei para trás, viajei no tempo, desde Trás-os-Montes até aos restaurantes, passando pela siderurgia, sempre a projetar o futuro, assumindo erros e celebrando vitórias, preocupando-me com o que realmente importa, a família, o amor, a amizade, os amigos, mais do que a ambição de ter mais e mais património. Agora, não tenho o mais importante, sinto-me só.

- Se quiser dar-me os contactos dos seus filhos eu telefono-lhes a dar conta da sua situação.

- Agradeço, mas acho que não vale a pena. Quando souberem que eu morri, aparecem logo todos. Mas vão ter uma surpresa, não vão ser herdeiros de tudo o que eu tenho. Quem cuidar de mim até eu morrer vai ficar com esta casa, que tem o valor da quota disponível. Herdam a parte da mãe, algum dinheiro e pouco mais.

- Sempre se deu bem com os seus filhos?

- Eu acho que sim, embora eles digam que eu lhes batia muito, por serem traquinas. Eu tentei educá-los como fui educado, era assim na minha terra. E singrei na vida.

Soraia não dormiu bem nessa noite, a pensar naquela figura de aparentemente “pai tirano solitário”. Fez cálculos de probabilidades durante longas horas. Foi ver na internet informação sobre esperança média de vida, para os homens. Estudou características que atrasam ou adiantam a esperança de vida. Sentia que ele lhe iria fazer uma proposta.

Consultou o seu companheiro, com quem vivia há três anos. Ambos divorciados, estavam agora numa fase de redução de compromissos rígidos, vivendo em “união de facto” e tendo vidas soltas, ela em idade ativa e ele reformado, vinte anos mais velho.

Algumas semanas decorreram depois desta conversa com o Sr. Joaquim.

Os tratamentos passaram a ser de três vezes por semana. No fim, o Sr. Joaquim falava sempre no seu projeto. Soraia percebeu que ele lhe iria fazer uma proposta. Nunca lhe disse que “não” nem que “sim”.

- Já assinei contrato com o centro de acolhimento para entregar a minha moradia da Aroeira em troca de acolhimento perpétuo aqui, neste centro.

- Por que não me disse antes?

- Porque a vi hesitante e eu sempre tomei decisões rápidas, não podia viver nesta angústia. Desculpe. Espero que continue a tratar-me aqui. E que faça um controlo sobre a minha saúde e sobre a forma como aqui me tratam. Vou recompensá-la por essa tarefa.

Vítor Carvalho

UM ENCONTRO DE NATAL

 


Vivia-se uma grande crise de falta de habitações disponíveis no mercado. No contexto da crise financeira que afetou todo o mundo, desapareceu a maior parte dos construtores civis, particularmente aqueles que satisfaziam a procura de habitação a preços acessíveis. Ficaram as grandes empresas de construção de casas, orientadas, em particular, para satisfazer uma procura de elevado poder de compra. Um divórcio, uma separação, ou um desentendimento familiar alimentavam também a crescente procura de casas. Segundos e terceiros casamentos ou uniões de facto acabavam por aumentar a procura de casas mais pequenas e de menor valor de mercado, mais distantes também dos centros urbanos.

 

No novo modelo familiar passou a ser frequente um avô ser pai de filhos de segundas e terceiras uniões que fazem diferença de muitos anos em relação aos filhos da primeira união. Se antes havia alguns problemas durante a discussão sobre a casa onde passar a noite de Natal, agora o problema tinha-se multiplicado. Vida moderna.

 

Com separação de famílias, os encontros de Natal passaram a ser um problema em vez de serem uma oportunidade de festa. Conciliar agendas, espaços e ambientes para encontros passou a ser um desafio. Casas pequenas, dispersas, estranhas, onde a árvore de Natal não tem espaço disponível, são um empecilho à socialização. Onde colocar as prendas, se não há espaço para a árvore?! Como podiam celebrar o Natal? Um amigo solteiro, convidado habitual de uma das famílias, homem rico que acabara de herdar uma pequena fortuna em andares e dinheiro, deu uma sugestão: juntar num hotel as diversas famílias para celebrar o Natal. Ele próprio trataria de todos os detalhes logísticos. A celebração incluía uma dormida no hotel, exatamente na noite de Natal, podendo, quem quisesse, permanecer lá por mais alguns dias.

Juntaram-se no hotel 23 pessoas, familiares e amigos. Discursos emotivos e agradecimentos a quem teve a ideia marcaram aquela noite. Um problema foi transformado em oportunidade de novos relacionamentos. Ondina Abranches, divorciada de meia idade, sentou-se junto de Gildásio Clemente, o solteirão rico, organizador do evento.

- Parabéns pela organização deste encontro, Ondina começou por dizer.

- Fi-lo com grande entusiasmo e expectativa, pois daqui poderá nascer um novo conceito de família, respondeu Gildásio, denotando algum nervosismo.

- Concordo, eu quis ter uma família tradicional, sempre ambicionei ser mãe, mas a natureza não me deu essa possibilidade, agora a minha família é esta, tenho aqui cunhados, sobrinhos e amigos. Talvez um dia adote uma criança, quem sabe, rematou secamente.

 Continuaram a conversar, noite dentro. Falaram das suas vidas profissionais, dos seus gostos, das viagens que já fizeram. Ele confessou que tinha acabado de chegar da América, ia frequentemente a Nova Iorque, mas desta vez tinha andado pelo interior dos EUA.

- Trabalha nalguma empresa americana?

- Não, tenho uma galeria de arte em Lisboa e vou frequentemente ver exposições e contactar artistas a várias capitais. Gosto muito desta vida.

- Não tem filhos?

- Podemos mudar de conversa?

- Desculpe a minha irreverência, certamente resultante desta interessante conversa…

- É provável que mais tarde perceba esta minha atitude. Também estou a gostar de conversar consigo, não leve a mal a minha reação.

- Ótimo, fico mais descansada. Ficaria triste se a nossa conversa não continuasse. Acho-o um bom conversador e extremamente educado. Há muito tempo que não encontrava um conversador assim, com quem a conversa pode não ter fim…

- Obrigado, é muito paciente…deve ter muita pena de não ter filhos, seria certamente uma boa mãe, rematou Gildásio.

- Não desisti de pensar em ser bafejada pela sorte…

- Eu também sempre quis ser pai, os meus sobrinhos que ali andam a divertir-se são muito chegados a mim, mas são apenas sobrinhos… não os posso acompanhar, até porque tenho uma vida pouco comum, vivo só, não tenho vocação para o casamento tradicional.

- Tenho pensado muito nas soluções que muitos casais adotam, a América é rica em soluções, barrigas de aluguer em particular, disse Ondina.

- Com cem mil dólares disponíveis, há muitas soluções, respondeu Gildásio, aparentando conhecimento de causa.

- Pois, quem me dera ter essa possibilidade, abraçava-a com paixão.

Interromperam aqui a conversa. Aproximava-se a ceia de Natal.

Muitos brindes, muitas prendas, muito champanhe, muitos discursos, assim passaram com muita alegria a noite de Natal.

Acabada a ceia, começou a troca de presentes. Muitos presentes…

Discretamente, Gildásio retirou-se da sala e dirigiu-se a um outro quarto que tinha reservado para uma amiga.

Reapareceu quinze minutos depois, trazendo consigo um lindo bebé, de poucos meses. Louro, olhos muito vivos, muito calmo, mostrava espanto por aquele ambiente.

- Este é o meu presente de natal, que ofereço a mim mesmo, exclamou Gildásio, eufórico. Fui busca-lo à América, chegámos na semana passada. É meu filho biológico, de mãe desconhecida, a quem paguei para fazer a gestação por mãe biológica/barriga de aluguer. Adoro esta criança!

Muitas palmas se seguiram. Todos queriam abraçar o novo membro da família. E a noite terminou em paz!

No dia seguinte, as conversas giravam à volta do novo membro da família. Ondina era talvez a mais excitada. Procurou sentar-se próxima de Gildásio.

- Já tem certamente uma precetora para educar a criança, perguntou.

- Sim, atempadamente contratei uma senhora experiente na educação de crianças, que já está a tomar conta do André, está ali num quarto ao lado.

- Como eu adorava ser a precetora de um bebé tão lindo, exclamou. Posso visitá-lo de vez em quando?

- Sim, terei muito gosto em recebê-la em minha casa.

Entretanto chegou uma amiga de Ondina, que ouviu as últimas palavras. Juntou-se à conversa, pois era amiga de Gildásio desde há muito tempo. Perguntou a Gildásio: é verdade que te zangaste com o teu amigo Adolfo?

- Sim, estamos de costas voltadas.

Três semanas passaram. Gildásio convidou Ondina para tomar um café e conviver com o André. Ondina sabia do risco de desilusão se embarcasse numa relação com Gildásio.

As visitas ao André tornaram-se assíduas. Alguns sustos com a saúde da criança justificaram passar a noite em casa de Gildásio, junto da criança, num dos vários quartos do luxuoso apartamento. Ambos estavam a gostar desta aventura. Ondina arriscou. Podia não ter homem, mas tinha uma criança.

Foram felizes à sua maneira.

Vítor Carvalho

CABEÇA DE BURRO


 

A Joana preparava a mesa para o jantar. Não era um jantar cerimonioso, mas também não era muito casual, afinal, o futuro genro vinha pedir a mão da sua filha. Da sua filha que já atingira a idade adulta formada em engenharia eletrotécnica, recém-formada melhor dizendo, preparava-se para um momento importante da sua vida. A Inês era uma rapariga alta desempoeirada, cabelo castanho-dourado e ondulado e os olhos azuis, muito azuis, e muito transparentes que deixavam perceber uma alma alegre e divertida. A espera estava a deixá-la tão nervosa e ansiosa que até perdeu o sorriso que sempre ostentava e o fino e acutilante humor que a caraterizava. O pai, Fernando de seu nome, estava sentado num cadeirão no outro lado da sala com o jornal à frente dos olhos, mas não estava lendo, estava mais pensando naquele momento tão especial. Ainda há tão pouco tempo aquela filha era uma criança. Sentia-se orgulhoso do percurso da filha que sempre lutou com tenacidade e força de vontade para tirar o curso e para ser campeã de natação. Há cerca de um ano quando se apercebeu que a filha andava a namoriscar um rapaz chamado Miguel procurou informações sobre ele e sobre a família. O rapaz era filho de boas famílias, gente lá do Norte, agricultores ou vinicultores não sabia bem, mas era uma família com algumas posses e bem considerados na terra onde viviam, à beira do Douro.

Finalmente tocou a campainha. A Inês saltou da cadeira como se tivesse uma mola no assento, mas o pai fez-lhe sinal para não se levantar e caminhou lentamente para a porta para abri-la. Abriu a porta, do lado de fora estava o Miguel com um ramo de flores numa mão e uma bonita caixa de madeira com duas garrafas de vinho na outra. Apesar da nervoseira conseguiu apresentar-se e oferecer, muito delicadamente, as flores à Joana e a caixa do vinho ao Fernando. Enquanto a Joana foi colocar as flores numa jarra com água, o Fernando abriu a caixa do vinho e ficou com ar espantado, ou mesmo zangado, quando viu o nome do vinho “Cabeça de Burro” e, pior do que o nome, eram as duas cabeças de burro desenhadas numa espécie de brasão no rótulo da garrafa que olhavam para ele com ar trocista. Passou-lhe tudo pela cabeça: Será que este gajo está a gozar comigo?  Será que me quer ofender? Será que terei de lhe dar duas bofetadas e correr com ele porta fora a pontapé?

O Miguel assustado com o ar zangado do futuro sogro, lançou um olhar suplicante à Inês. A Inês, perante tão divertida situação, recuperou o sorriso e explicou ao pai que os pais do Miguel eram produtores daquela marca de vinhos e que aquelas garrafas eram raras, de uma colheita muito especial. O Fernando sentiu-se um pouco ridículo e, para disfarçar, abriu um sorriso deu duas palmadinhas nas costas do Miguel e foram todos para a mesa jantar. O vinho era, realmente, muito bom.

Carlos Baptista

JANELA, CLARABÓIA NA MINHA ALMA

 

I – A alma é a essência da nossa personalidade.

     É algo que serve como alicerce da nossa vida.

     É um fator principal do nosso “Eu”.

     É necessária, crucial, não pode ser ignorada.

II – A janela da alma, através de um olhar, expressa

      Sentimentos de alegria, tristeza, raiva, amor ou medo.

      Assim, podemos afirmar que a janela da alma

      É o seu próprio valorizado visualizador

III – A claraboia é como se fosse uma ressonância

       magnética. Vê tudo a partir de cima. Como sendo

       um autêntico olho de boi, um óculo,

       Ou uma grande abertura no telhado.


Jerónimo Pamplona
Algés, 31 de outubro de 2025

VIVER É ASSIM: CAMINHAR DE MÃOS DADAS RUMO AO PARAÍSO

  

Viu-os passar devagar, de mãos dadas, vergados pelo tempo e inteiros na entrega. Benjamim pensou em estrada e lançou um desafio silencioso: querem saber o que é caminhar? Então, olhem.


O par de idosos seguia em direção ao supermercado. Entraram ao seu ritmo, esse que já não pede licença a ninguém.

O gerente viu-os e elevou a voz:
— Têm de desimpedir a loja, têm de dar passagem!

O casal avançava entre prateleiras sem dar conta do chamamento. O que o chefe de turno queria dizer era simples, embora não o pudesse formular assim: têm de ir embora. Pensava nos números, na comissão, no espaço ocupado por quem consome pouco e demora muito.

A mulher puxava pela mão o homem cambaleante. Rivalizavam na brancura dos cabelos. Os olhos mortiços de um contrastavam com os do outro, vivos, de um azul ainda limpo.

Chegaram, por fim, à mesa de pé alto junto ao balcão. A mulher tirou a senha. Ali não havia prioridades. Pegou no tabuleiro; a empregada nem esperou pelo pedido:

— Um pastel de nata, pão com manteiga (pouca), um galão morno e um café cheio. Não é, Dona Lisete? Ah, e um copo de água.

Ela assentiu. Colocou o tabuleiro entre os dois. Mexeu o açúcar, pousou a colher sobre o bolo e deslizou-o para a frente do companheiro.

O gerente voltou a passar:
— Desimpedem a loja, têm de dar lugar aos outros.

As mãos trémulas do ancião raspavam a nata com cuidado extremo. Da colher à boca, o percurso era longo. Sorvia o bolo devagar, como quem sorve o tempo que resta. A vida, ali, não tinha pressa.

A mulher observava-o sem fixar o olhar. Retirou um guardanapo e limpou-lhe os lábios. Depois colocou-lhe o comprimido na boca e levou-lhe o copo de água. Tudo sem palavras, como se o gesto bastasse.

Depois de arrumar a bandeja, pegou-lhe novamente na mão e fizeram o caminho inverso até à saída.

— Até amanhã, Dona Lisete.
— Têm de desimpedir a loja…


Benjamim ficou parado, enquanto o mundo retomava a pressa.

Pensou que ninguém ensina a caminhar assim. Aprende-se ficando.
Há caminhos que não levam a lado nenhum — e outros que se fazem a dois.

Escolhe-se um. E anda-se.

                                                                                                                                  Vasco Patrício

Nova Atena- Linda-a-Velha
20/12/2025

                                                                                                  

Mote: “Viver é assim: caminhar de mãos dadas rumo ao paraíso.

NOVA ATENA NASCEU, ESTAGNOU OU DESENVOLVEU?

 

Durante muitos e vários anos

Andaram com a casa às costas

Escolas, Quartel, Pirâmide

Foram apenas casas “supostas”

 

Os Fundadores não desistiram

Acreditaram nos seus projetos

Dezassete anos se passaram

A Nova Atena já tem netos!

 

Com o apoio da Câmara

Conquistaram Bonita Escola

A ideia de estar estagnada

Na nossa cabeça não cola…

Cantam, tocam, escrevem

Caminham, dançam e jogam à bola!

 

Hoje são 120 horas semanais

Com 550 sócios a frequentar

Disciplinas muito interessantes

Conteúdos excelentes para estudar

Com tantas “Ralações Conjugais”!

Onde é que isto irá parar?

 

Gerida com competência

Baseada no voluntariado

É uma Associação de Excelência

Referenciada em muito lado

Nasceu, cresceu, não estagnou!

E tem um jardim bem tratado

 

Alguns que ainda ontem chegaram

E que a vão querer Dirigir

Não têm muito que pedalar

Vão o seu coração sentir

A papinha já está pronta

Têm salas para a servir

Há sempre refeições a temperar

E muitas razões para sorrir!

 

Francisco Lourenço

19/12/2025

ENTRE E NAS PALAVRAS

 

Mês de Dezembro! 2º desafio mensal à participação no Projeto “ENTRE PALAVRAS”.

A minha 1ª mensagem nesta participação, é de Parabéns à Nova Atena pela iniciativa a que já nos habituou, o convite à escrita!

Sendo a continuação desejada, à imagem de anteriores projetos, e aguardada no atual ano-letivo, comporta em si a proposta específica na sua designação “ENTRE PALAVRAS”.

A 2ª mensagem é de Parabéns pela referida designação que, segundo a minha perspetiva, homenageia o Ser Humano de forma notável e inspiradora, promovendo a reflexão sobre o poder da Palavra.

 Suscita e convida à criatividade na expressão da participação individual, onde as palavras são o meio e os leitores são o fim, os destinatários que as interpretarão segundo os sentimentos que as mesmas lhe venham a provocar.

É um exercício muito intimista quer para quem as escreve, quer para quem as interpreta!

Esta é a dinâmica da partilha proposta, genuinamente significativa no tema atual “ENTRE PALAVRAS”.

A designação define-se no seu próprio conteúdo e expressão, ficando reforçada a ação daí resultante, num autêntico enquadramento, isto é:

A Palavra, temática proposta, é duplamente valorizada.

A 3ª mensagem reflete a minha reflexão que partilho aqui, sobre a força da Palavra.

 As Palavras comportam em si energia própria, existe uma força implícita nas mesmas e essa força energética responsabiliza-nos, leva-nos à consciencialização e daí considerar esta proposta uma homenagem ao Ser Humano no seu TODO.

 As Palavras são veículos vivos de mensagens….

Elas são o espelho do pensamento e sentimento de quem lhes dá vida.

Usar bem este atributo próprio do Homem é um dever, não somos perfeitos, mas tentar ter a consciência do processo já é um feliz princípio! Perfumar a nossa mensagem quer oral quer escrita com essências puras, dignifica-nos e vibracionalmente enriquece-nos.

O somatório das trajetórias individuais produzirá a corrente energética que se propagará ao mundo e consequente consciência coletiva, que beneficiará ou não da qualidade das mensagens de cada um de nós (É uma enorme responsabilidade!!)

Todos aspiramos a um Mundo melhor, onde a Palavra seja de paz, de amor, de autenticidade, de verdade e integridade. Essa necessidade intrínseca do ser humano não se limita ao mês de Dezembro, precisamos de Natal todo o ano e a Palavra é uma valiosa semente para o fruto de paz que desejamos para todo o planeta.

O Natal remete-nos para o Menino que nasceu na exemplar simplicidade e veio com o desígnio de nos ensinar o sentimento do Amor.

O pensamento não verbalizado é a semente energética da Criação, que é levada à palavra escrita ou oral.

A palavra é sempre uma força criativa do universo.

O potencial para o sofrimento humano é governado pela energia do mau uso da palavra pensada, falada ou escrita. Assim, estamos todos a ser convidados à consciencialização, neste caminho de aprendizagem e crescimento espiritual.

 As palavras levam luz aos nossos corações, são agentes de transformação de energias desqualificadas que tanto contaminam a energia coletiva, produzindo as consequências que infelizmente estão à vista de todos nós, neste mundo doentiamente conturbado, saturado com frequência por retórica estéril, oca e dispensável.

 Há palavras que envenenam, destroem, intoxicam.

 Há palavras que curam, elevam, harmonizam.

Entre elas fica a energia que produzem…..

Quem não a sente?

A designação deste projeto é de enorme riqueza, sugere-nos parar, refletir nas potencialidades alimentadas quer pelo pensamento, quer pela escrita, quer pela oralidade, bem como nas suas consequências e, o  estímulo à reflexão, é determinante na escolha dos caminhos.

Agradeço e enfatizo mais uma vez o valor da proposta “ENTRE PALAVRAS”.

DESEJO QUE O NATAL DE 2025 SE PROLONGUE NOS 365 DIAS QUE LHE SUCEDEM.

Que os presentes oferecidos sejam embrulhados em sentimentos que conduzam a humanidade à LUZ e ao AMOR que o MENINO nos trouxe à Terra.

Termino e apelo a Palavras de Esperança num futuro de luminosa consciencialização, que eleve o nosso planeta e promova a plenitude.  Votos de Feliz Natal, onde as Palavras sejam os doces que nos nutrem de Amor, Harmonia e Vida.

Que o simbolismo das luzes de Natal se transforme em realidades vivas ENTRE E NAS PALAVRAS

 Maria de Lourdes Santos

18/12/2025