01/12/2025

O MOINHO DE PAPEL

Era um simples moinho de papel de seis pontas, com cores bem definidas que  colocado no alto de um muro e impulsionado por uma ligeira brisa,  rodava, rodava sem parar.
Uma criança, de narizito empinado e boca entreaberta, olhava fascinada para aquela bola multicolorida que não parava de rodar. Era um brinquedo e só podia ser para ela. Tinha de ser para ela. Esticou o bracito para o agarrar, mas o muro era uma torre quase tão alta como o seu pai. Tentou trepar mas a parede era demasiado lisa.
A criança olhava para o muro e para o seu brinquedo sem vontade de desistir. E acabou por dar-se conta de que havia uma parte mais baixa. E sem tempo para refletir ela correu e, com alguma dificuldade, conseguiu trepar e escarranchar-se no cimo. Era só estender o braço, pensava ela, mas não era bem assim. O moinho ainda continuava longe.  Andar a cavalo no muro até parecia divertido desde que não olhasse para o chão! E ansiosa por agarrar o seu moinho, ela avançou corajosamente, só parando quando conseguiu tê-lo bem seguro na sua mão.
Triunfante, iniciou a descida, mas com uma das mãos ocupada era mais difícil. Escorregou-lhe um pé, tentou agarrar-se e acabou por cair no chão duro. Soaram apitos nos seus ouvidos e tudo se apagou por instantes. Chegou em seu socorro a família aflita e a criança rapidamente recuperou. Um belo galo na cabeça, os joelhos esfolados, mas o seu troféu mantinha-se firmemente em seu poder.
Mais tarde, da janela aberta do seu quarto, a criança olhava embevecida para o seu moinho colorido, de seis pontas,  que rodava, rodava sem parar.

Pilar Encarnação
19/11/2025

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