01/12/2025

TODOS OS DIAS ACABAMOS, TODOS OS DIAS NOS RENOVAMOS



Claro que sim — Pensa, Euclides! Todos os dias nos renovamos e morremos, mas não de
morte matada, como se costuma dizer. — São as chamadas pequenas mortes. Morremos
para que possamos renascer, dia após dia.
Dizem-nos: "Ouve com o coração." Mas como se ouve com o coração?
Euclides não sabe.
Talvez porque nem sempre pomos o coração em tudo o que fazemos, no nosso dia a dia.
Não nos entregamos por completo.
É sabido que, fisicamente, amanhã já seremos diferentes de hoje. O nosso corpo muda: há
células que morrem, outras que se renovam.
Para além dessas transformações físicas, talvez também nos renovemos noutras dimensões
— psicológicas, emocionais, espirituais. Será? Euclides não sabe. Euclides não sabe nada.
Até porque, presentemente, o que é válido hoje, amanhã já pode não valer.
A velocidade com que se vive, já nem deixa espaço para a reflexão.
Será que o que fizemos hoje valeu a pena? Acrescentámos algo a nós mesmos? A alguém?
A alguma coisa?
Sabemos apenas que o dia acabou, e que amanhã será outro dia — e que nós já seremos
diferentes. Renasceremos, talvez, para novos projetos, novas esperanças.
Uma frase hoje muito popular diz: "Viver um dia de cada vez." E, quem sabe, a voz do povo
tem razão.
A leitura que Euclides faz é que não devemos fazer projetos a longo prazo — não devemos
dar um passo maior do que o outro.
Será por aí? Talvez. Talvez ouvir-nos com o coração...
Mas Euclides não tem certezas.
Sabe, porém, que é preciso terminar o texto, porque já se passaram vinte minutos — e a
vida, nas suas obrigações quotidianas, não espera. Entretanto, passam-se mais dez minutos.
Alguma coisa vai ter de ficar para trás, porque o autocarro não espera... nem o da vida.

Vasco Patrício
2025-11-15

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