Zangada? Creio que não!
Exausta, triste, desiludida, talvez!
Não estará certamente zangada, a zanga provoca zanga, a ira provoca ira, a guerra provoca guerra, o ódio provoca ódio…toxidades que a Mãe Natureza, na sua sabedoria de Mãe Nutridora, não pretenderá provocar.
Pede sim respeito, consciência, responsabilidade, não só por ela, como também pelos nossos descendentes.
Tenta assim educar-nos enquanto inquilinos desta casa comum,
mostrando-nos a nossa impotência perante a sua autoridade e força da
VIDA….
O conhecimento técnico conquistado é importante se bem usado, sem atropelos às leis naturais….
De contrário desmorona-se, colapsa pela força e ação destrutiva de
qualquer dos elementos: terra, ar, água ou fogo.
Os respetivos elementais que em tempos idos da Lemúria e Atlântida, colaboravam em harmonia com a humanidade fragilizaram-se, estão sensíveis às agressões que todo o planeta recebe e que contaminam o equilíbrio natural. O lixo tóxico paira na consciência coletiva, desde guerras, a conflitos constantes nas diversas áreas, a agressões verbais e físicas, à violência doméstica…….
Estamos agora claramente no limite de um momento decisivo!!
O planeta está na sua manifestação inequívoca de alerta.!!!
E o homem a sentir a sua impotência e dependência; convidado a refletir.
A solidariedade ganhou aqui relevância; no grande caos muitos se
destacaram pela ajuda e compaixão pelo próximo e foram essenciais à superação e conforto em momentos de muita aflição.
Todos somos chamados a contribuir, cada um de acordo com as suas
possibilidades e condições.
O pensamento é uma ferramenta poderosa seja para construir, seja para destruir.
Criar convergências construtivas de compaixão, união, empatia, apreço pelo esforço alheio, será também uma forma de solidariedade.
A fé, a esperança, a oração, são pilares construtivos e poderosamente reparadores.
Todos somos convocados para o bem comum!
As lições são imensas, as várias situações são veículos de mensagens;
olhar para as mesmas com a sensibilidade adequada, será um primeiro passo na reflexão.
Os elementos com maior destaque foram o ar/ventos e a
água/inundações
Efeitos do desequilíbrio do ar todos conhecemos. Telhados voaram,
estruturas caíram, árvores tombaram, janelas e portas quebraram…. A segurança sofreu danos gigantescos, o conforto foi levado pelas rajadas de vento.
Efeitos do desequilíbrio da água, também todos conhecemos. Entrou nas casas sem pedir licença, invadiu, destruiu e expulsou as vidas lá residentes.
Em comum a destruição retirou condições de usufruir do conforto pré adquirido e ficou apenas a inutilidade do que outrora, fora considerado indispensável. Móveis, roupas, equipamentos variados, tornaram-se num amontoado impróprio e simbólico de desespero, deixaram de ser prioridades, apenas a VIDA contava.
E sem me alongar mais, apenas referir os aspetos referentes à
eletricidade, às vias de telecomunicações, às estradas intransitáveis,
destruídas com fissuras assustadoras, mostrando a vulnerabilidade que existe por baixo da ilusão que parece indestrutível, outrora percorridas por potentes carros que faziam o orgulho dos seus ocupantes, permitindo altas velocidades e manifestos exageros, símbolos de superioridade por vezes, quer pela capacidade do carro quer do seu utilizador!
Alguns ficaram destruídos e reduzidos a escombros inúteis e o que fora motivo de deslumbramento, tornou-se então motivo de pesadelo.
As falésias também sofreram desestruturação e muita vida adjacente a correr perigos gigantescos com a possibilidade de zonas ficarem inabitáveis. Os moradores tentando salvar o pouco que lhes resta, incluindo os seus animais…..
Tanto caos, tanto colapso, tanta angústia, tanto medo, tanta impotência!
A VIDA é sem dúvida o bem mais precioso. Estimá-la com consciência e reverência, seja a vida humana seja a vida do planeta será uma das várias lições recebidas da Mãe Natureza, que tem sido maltratada e a sua gota de água (e foram muitas gotas) transbordou o seu copo!
Atingiu o limite que a levou a reagir, a impor-se, a demonstrar de forma marcante o resultado das ações humanas que carecem de reflexão.
É um enorme grito, gigantesca chamada de atenção, contudo mais uma oportunidade dada à humanidade de se reposicionar apesar de tanto sofrimento!
Agora é tempo de reconstrução e fé.
Que a beleza das falésias, dos mares, dos rios, das árvores, voltem a
inspirar o homem em perfeito equilíbrio.
Partilho o poema FALÉSIA, em homenagem às falésias de Portugal e
particularmente à que foi olhada de forma especial pelo seu autor em 2017 e que carinhosamente consideramos a “Nossa Falésia”.
FALÉSIA
Pinheiros imponentes verde escuro
Telhados vermelhos bem alinhados
Casas brancas de arcos rendilhados
Avenida larga sem carros estacionados
Nuvens escuras cobrindo os céus
Avançam lentas na nossa direção
Chuva forte cai sobre as casas
Bate o vento, fica bem lavado o chão
Prédios altos cortam o horizonte
Árvores balouçam ao sabor da ventania
O frio entra pelas frestas da marquise
Um ao outro damos afeto e harmonia
Estendemos o olhar mais à direita
O mar está bravo, as ondas a rebentar
Toco a harmónica de forma ritmada
Estendo-te a mão e vamos dançar
À nossa esquerda a falésia dourada
Coberta de verdura e canaviais amarelados
Protege as gentes da Costa do Sol
Vigia os barcos de pescadores cansados
A chuva parou, vemos o céu prateado
Gaivotas partem do abrigo dos telhados
As ondas rebentam pintadas de branco
Agradecemos a paz, dormimos descansados
É tempo de acordar e ficarmos abraçados
( Francisco Lourenço)
Maria de Lourdes Santos
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