Na penumbra da sala de concertos
Crio expectativa e sonho.
Percorro os naipes com o olhar
E individualizo os sons que oiço.
Bate-me o coração ao ritmo da precursão
Conforme a intensidade que marca.
Agitam-se os braços do maestro
Ditando as sonoridades.
E outra vez a música entranha-me.
Neste momento sou, apenas, uma nota a rodar no ar.
Detenho-me, agora, a observar os músicos:
Homem instrumento, instrumento homem
Instrumento e instrumentista.
São um só corpo, feito de música. (Conceição Areias)
O maestro é jovem, mas já é famoso
Quero sentir e viver o seu sucesso
Quero a confirmação do que os críticos escrevem.
Espero que o desempenho ultrapasse as minhas expectativas
Silêncio total! Concentração! Primeiro andamento, allegro vivace.
O vigor do maestro cria boas sensações.
Olha! Tem uma leitura diferente. Fico excitado com a sonoridade.
Mãos e olhares do maestro definem «mood»
O maestro salta «genicoso»!
Fagotes atacam fortíssimo!
Respondem as trompas com serenidade.
Explosão no final do primeiro andamento.
Excelente! Primoroso! – diz Maria para o Manel.
Silêncio, de novo, no palco e na sala.
Um suave murmúrio vem do naipe dos oboés.
Em crescendo, uns a seguir aos outros,
Os naipes expressam calma e introspeção.
Novo silêncio.
Em crescendo, o maestro pede expressão sentida
E, no final do andamento, todo o mundo parece ter encontrado a paz…
Expectativa para o último andamento.
Os braços do maestro
Indiciam a aproximação do fim.
-Da capo- diz a Maria, em pianíssimo, para o Manel.
Final moderato!
Aplausos! Aplausos! Excedeu as expectativas! Bravo!!Bravo!!
(Vítor Carvalho)
O maestro prepara a batuta
Ouve-se o silêncio, suspende-se a respiração.
Ouvem-se os violinos, os violoncelos, os trombones,
Sons suaves e estridentes. (Manuela Costa)
O som, num crescendo, toma conta de mim.
Ó Tchaikovsky, ó Ravel, ó Vivaldi, ó Mozart!
Ó Chopin! Ó Beethoven! Ó Schubert! Ó Bach!
Tragam o vosso som até mim!
Como um tambor que ruge na tempestade…
E depois, venham todos! Venham! Venham todos!
Com doces passos para sossegar meu íntimo! (Isabel Sequeira)
No teu corpo de notas
Cabe o riso das crianças, a memória dos velhos,
e o silêncio que só os amantes entendem. (Isabel Carvalho)
A emoção instala-se
E o coração acompanha com um batimento extra,
Como se se integrasse na orquestra. (Teresa Sousa)
Alunos de Literatura Portuguesa Século XX
Professora- Maria de Freitas
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