01/03/2026

ODE À MÚSICA


Na penumbra da sala de concertos

Crio expectativa e sonho.

Percorro os naipes com o olhar

E individualizo os sons que oiço.

Bate-me o coração ao ritmo da precursão

Conforme a intensidade que marca.

Agitam-se os braços do maestro

Ditando as sonoridades.

E outra vez a música entranha-me.

Neste momento sou, apenas, uma nota a rodar no ar.

Detenho-me, agora, a observar os músicos:

Homem instrumento, instrumento homem

Instrumento e instrumentista.

São um só corpo, feito de música. (Conceição Areias)


O maestro é jovem, mas já é famoso

Quero sentir e viver o seu sucesso

Quero a confirmação do que os críticos escrevem.

Espero que o desempenho ultrapasse as minhas expectativas


Silêncio total! Concentração! Primeiro andamento, allegro vivace.

O vigor do maestro cria boas sensações.

Olha! Tem uma leitura diferente. Fico excitado com a sonoridade.

Mãos e olhares do maestro definem «mood»

O maestro salta «genicoso»!

Fagotes atacam fortíssimo!

Respondem as trompas com serenidade.

Explosão no final do primeiro andamento.

Excelente! Primoroso! – diz Maria para o Manel.

Silêncio, de novo, no palco e na sala.

Um suave murmúrio vem do naipe dos oboés.

Em crescendo, uns a seguir aos outros,

Os naipes expressam calma e introspeção.

Novo silêncio.

Em crescendo, o maestro pede expressão sentida

E, no final do andamento, todo o mundo parece ter encontrado a paz…

Expectativa para o último andamento.

Os braços do maestro

Indiciam a aproximação do fim.

-Da capo- diz a Maria, em pianíssimo, para o Manel.

Final moderato!

Aplausos! Aplausos! Excedeu as expectativas! Bravo!!Bravo!!

(Vítor Carvalho)


O maestro prepara a batuta

Ouve-se o silêncio, suspende-se a respiração.

Ouvem-se os violinos, os violoncelos, os trombones,

Sons suaves e estridentes. (Manuela Costa)


O som, num crescendo, toma conta de mim.

Ó Tchaikovsky, ó Ravel, ó Vivaldi, ó Mozart!

Ó Chopin! Ó Beethoven! Ó Schubert! Ó Bach!

Tragam o vosso som até mim!

Como um tambor que ruge na tempestade…

E depois, venham todos! Venham! Venham todos!

Com doces passos para sossegar meu íntimo! (Isabel Sequeira)


No teu corpo de notas

Cabe o riso das crianças, a memória dos velhos,

e o silêncio que só os amantes entendem. (Isabel Carvalho)


A emoção instala-se

E o coração acompanha com um batimento extra,

Como se se integrasse na orquestra. (Teresa Sousa)


                                                                                       Alunos de Literatura Portuguesa Século XX

                                                                            Professora- Maria de Freitas


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